Brasileiro precisa aprender sobre finanças antes de investir, diz especialista | Invest

Apesar do crescimento surpreendente no número de investidores, falta ainda ao Brasil cumprir a lição básica. Ou seja, antes de falar em investir — e de estrear no mercado –, é importante que as pessoas aprendam a lidar com as próprias finanças. Prova disso é que a maioria dos brasileiros não sabe bem como organizar o próprio orçamento e já começa o mês endividado.

Esse é o diagnóstico de Daniel Fuks, educador financeiro e ex-diretor da área de previdência da gestora Gávea, fundada pelo ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga. “Eu diria que boa parte das pessoas que estão operando na bolsa não tem noções básicas de finanças. Eles não passaram pela lição um, que é aprender a lidar com o próprio dinheiro, e já querem partir para o day trade“, diz.

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Depois de palestrar sobre finanças pessoais para jovens de baixa renda, Fuks conta ter percebido que havia um incentivo perverso para que esses adolescentes consumissem de forma pouco consciente, endividando-se no cartão de crédito.

“Muitos não conseguiam pagar e acabavam com o nome em órgãos de proteção de crédito, o que atrapalhava a busca por um emprego melhor”, conta o economista.

Para ajudar a melhorar o nível de conhecimento da população de menor renda, Daniel resolveu criar a Poupare. O projeto transformou-se em um aplicativo com lições de finanças e com um fundo de previdência com investimento inicial de 100 reais.

Veja a entrevista dada à EXAME Invest:

Por que você decidiu falar de educação financeira para a população de menor renda?

Em 2008, comecei um trabalho voluntário para treinar adolescentes participantes do programa Jovem Aprendiz. Minha tarefa era falar sobre educação financeira com eles. Na época, eu trabalhava com o Armínio (Armínio Fraga, ex-diretor do BC) na Gávea e uma cliente de wealth management pediu que eu desse palestras para esses jovens.

Quando comecei a ter contato com os adolescentes, percebi que a maioria deles não fazia ideia do que fazer com o dinheiro que recebiam no emprego. Eles ganhavam entre um e dois salários mínimos — o que, muitas vezes, era mais até do que os pais ganhavam — e começavam a vida financeira abrindo conta em banco e recebendo o primeiro cartão de crédito.

Somos o país do incentivo ao consumo, principalmente pela política de parcelamento sem juros. Apenas alguns desses jovens eram efetivados, e a maioria acabava sem emprego e com dívidas no cartão de crédito. Muitos não conseguiam pagar e acabavam com o nome em órgãos de proteção de crédito, o que atrapalhava a busca por um trabalho melhor.

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